Publicado em 1 de Março de 2012 as 10:07:05 AM
Igreja Evangélica Assembléia de Deus - Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Ailton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro
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LIÇÃO 10 - UMA IGREJA VERDADEIRAMENTE PRÓSPERA
INTRODUÇÃO
Nesta lição iremos ver que a igreja não é uma
instituição humana feita com fins lucrativos, muito pelo contrário, ela é uma
instituição divina (Ef 3.9), que têm Cristo como fundamento (Mt 16.17,18) e o
Espírito Santo como mantenedor (Jo 14.16). Veremos que a sua natureza é
universal e local, que é una, santa e apostólica. Observaremos também que a
visão da Teologia da Prosperidade equivoca-se quanto a classificar a
prosperidade de uma igreja limitando apenas a obtenção de bens materiais e não
espirituais e eternos (Ef 1.3). Por fim, analisaremos o perfil das igrejas de
Esmirna e Laodicéia sob a ótica de Cristo.
I - CONCEITO DA PALAVRA IGREJA
“A palavra “igreja”, no grego, ekklesia, significa “chamados para fora”. Originalmente, os
cidadãos de uma cidade que eram chamados mediante o toque de uma trombeta, que
os convocava para se reunirem como assembleia em determinado local, a fim de
tratarem de assuntos comunitários. Da mesma forma, a Igreja é um grupo de
pessoas chamadas para fora do mundo, para formar um povo seleto, especial,
pertencer a Deus e serví-lo” (I Pe 2.9,10; I Ts 1.9). (Cabral, 2007, p. 5)
II - QUAL A
NATUREZA DA IGREJA
Como um organismo vivo, a Igreja de Cristo
possui uma natureza e/ou essência. A palavra de Deus nos mostra características
dessa natureza. Citaremos algumas:
A igreja é
universal e local. A igreja universal ou invisível é o conjunto de todos
os salvos em Cristo. É citada no Novo Testamento no singular - “igreja” nos
textos de (At 20.28; I Co 12.28; Ef 1.22; 5.27 I Tm 3.15; Hb 12.23). Já a
igreja local se trata da reuniãos dos fiéis em um local específico. A Bíblia
emprega o plural “igrejas”, a fim de referir-se às igrejas locais (At 9.31;
16.5; Rm 16.4; 16.19; II Co 8.1; Gl 1.2).
A igreja é
una. Apesar da igreja ser composta de vários membros (povos, tribos,
línguas e nações), sua unidade tanto local como universal é retratada
perfeitamente na figura de um corpo, pelo apóstolo Paulo (I Co 12.12,13; 27).
A igreja é
santa. Como vimos acima, a igreja é um povo “chamado para fora”. Isto diz
respeito a separação que a igreja deve ter em relação ao mundo. Jesus Cristo,
seu arquiteto, a santificou pelo seu sangue (Ef. 1.7;I Jo 1.7), por sua Palavra
(Jo 17.17/Ef 5.26) e pelo seu Espírito (Tt 3.5/Rm 8.1).
A igreja é
apostólica. A igreja de Cristo está fundamentada nos seus ensinos,
repassados pelos seus santos apóstolos - este é o seu fundamento (Ef 2.20). O
apóstolo Paulo reconhecia este sólido ensinamento como único, ao ponto de
alegar que se algum dos apóstolos ou até mesmo um anjo do céu pregasse outro
evangelho, deveria ser considerado maldito (Gl 1.8,9).
III -
CARACTERÍSTICAS DE UMA IGREJA PRÓSPERA
É extremamente equivocada a visão dos Teólogos
da Prosperidade, limitando-a apenas a obtenção de riquezas, principalmente sob
o ponto de vista do Cristianismo, que prega a valorização do ser mais que do
ter. No livro dos Atos dos Apóstolos encontramos evidências na igreja
primitiva, que atestam a verdadeira prosperidade daquela igreja - sua saúde
espiritual. Destacaremos aqui algumas características de uma igreja
verdadeiramente próspera, relatadas por Lucas:
3.1 Aquela que persevera na doutrina. A
palavra “doutrina” do gr. didache, denota ensinamento ou instrução. Jesus havia exortado aos seus
apóstolos que ensinassem aos que se tornassem discípulos (Mt 28.19,20). Eles
também haviam sido advertidos que “permanecer na palavra era a garantia de um
discípulado verdadeiro” (Jo 8.31). Fazendo assim, a igreja primitiva demonstrou
em seu viver diário apego ao que os apóstolos do Senhor ensinavam (At 2.42).
Isto a qualificou como uma igreja próspera, que não crescia apenas em
quantidade, mas em qualidade (At 2.41;47).
3.2 Aquela que persevera na comunhão. A
palavra “comunhão” vem um termo grego koinonya que envolve a ideia de participação, companheirismo e
contribuição. Teologicamente significa “Vínculo de unidade fraterna, mantido
pelo Espírito Santo, que leva os cristãos a se sentirem um só corpo em Cristo
Jesus” (II Co 13.13; I Jo 1.3). A comunhão também reflete a prosperidade de uma
igreja, pois mostra que apesar de ser composta por pessoas distintas é coesa
quanto a fé. É como um corpo que cresce de forma ajustada, pois está ligado,
segundo a cooperação de cada parte (Ef 4:16).
3.3 Aquela que persevera no partir do pão. A
expressão “partir do pão” diz respeito ao ritual sagrado da Ceia do Senhor, a
reunião mais solene da igreja, onde os membros reunidos celebram a morte do
Senhor até que venha, como ele assim ordenou (Lc 22.19). O corpo e o sangue de
Cristo simbolizados no pão e no vinho deveriam ser ingeridos com temor e
reverência pela comunidade cristã (I Co 11.27,28). A celebração em si deveria
ser realizada em amor e comunhão, como demonstração da vida saudável da igreja.
3.4 Aquela que persevera nas orações. A
prática da oração persistente e fervorosa também é a marca de uma igreja
realmente próspera. Pois, a oração é um recurso eficaz (Tg 5.16); é o único
meio de comunicação com Deus (Jr 33.3); e é também uma arma defensiva e
ofensiva (Ef 6.18). Os cristãos primitivos demonstravam uma vida próspera
porque viviam em constante oração (At 1.14; 2.42; 3.1; 4.31).
IV - A
PROSPERIDADE DE ESMIRNA E A POBREZA DE LAODICÉIA
A prosperidade de uma igreja não deve ser
aferida e/ou avaliada pelos templos suntuosos que constrói, ou pelos caros
automóveis que seus membros possuem, muito pelo contrário, a definição de uma
igreja realmente próspera como já temos visto, ultrapassa o material. Vejamos
sob a ótica de Cristo a definição de pobreza e riqueza, nas igrejas de Esmirna
e Laodicéia.
4.1 A igreja de Esmirna:
Chamada de
coroa da Ásia. Atualmente conhecida como “Izmir”;
Seu nome
significa “mirra”, que é uma substância cheirosa, porém extremamente amargosa,
que por certo retrata as duas condições da igreja: aprovada (Ap 2.9), porém
provada (Ap 2.10);
Tinha obras
(Ap 2.8);
Sofria
tribulação (Ap 2.8);
Era pobre,
porém rica (Ap 2.8): como podemos ver essa declaração parece uma contradição.
Como pode alguém ser pobre, porém rico? Está claro que embora fossem pobres em
termos materiais, esses cristãos desfrutavam de uma valiosíssima riqueza
espiritual (Ap 2.9). Aqueles que ensinam que a espiritualidade obrigatoriamente
deve trazer riqueza, se esquecem de mencionar que a riqueza muitas vezes produz
a decadência espiritual (Mt 6.24; Lc 16.13; I Tm 6.10).
4.2 A igreja de Laodicéia:
Este nome foi
dado a cidade por Antíoco II em homenagem a sua esposa Laodice;
Tornou-se o
mais saudável e importante centro comercial da região. Era principalmente
conhecida por três atividades comerciais: bancária, lã e medicina;
Tinha obras
(Ap 3.14);
Era
espiritualmente morna (Ap 3.14);
Era rica,
porém pobre (Ap 3.17): como podemos perceber, a igreja de Laodicéia
encontrava-se numa situação oposta a de Esmirna. O conceito dos cristãos desta
igreja sobre prosperidade era equivocado aos olhos de Cristo, pois ele os
adverte dizendo: “como dizes“, no entanto ouvem dele “e não sabes que és“.
Percebe-se nitidamente aqui a grande diferença entre o ter e o ser. O
materialismo presente na cidade afetou a igreja ao ponto dela gloriar-se no que
financeiramente possuía: bancos abarrotados de dinheiro, mas era pobre; tinham
lã para fabricar roupas, todavia estavam nus; e sua medicina estava tão
avançada que criou um tipo de colírio, que trazia cura para algumas doenças dos
olhos, entretanto eram cegos. Por fim, sua espiritualidade morna, era tão
insuportável para Cristo como suas águas mornas eram para o consumo.
CONCLUSÃO
É necessário entender que nem a pobreza nem a
riqueza caracterizam a prosperidade de uma igreja. Muito pelo contrário, a
verdadeira riqueza de uma igreja, do ponto de vista divino, encontra-se numa fé
verdadeira, que é mais preciosa que o ouro (I Pe 1.7); em vestes espirituais
brancas (Ap 19.8); e por fim, na abertura dos olhos espirituais pela revelação
da Palavra e do Espírito (Sl 19.8/Ef 1.8).
REFERÊNCIAS
MACARTHUR. Bíblia
de Estudo. CPAD.
ANDRADE,
Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
CABRAL,
Elienai. Lições Bíblicas: a Igreja e a sua missão. CPAD.
INTRODUÇÃO
Nesta lição iremos ver que a igreja não é uma instituição humana feita com fins lucrativos, muito pelo contrário, ela é uma instituição divina (Ef 3.9), que têm Cristo como fundamento (Mt 16.17,18) e o Espírito Santo como mantenedor (Jo 14.16). Veremos que a sua natureza é universal e local, que é una, santa e apostólica. Observaremos também que a visão da Teologia da Prosperidade equivoca-se quanto a classificar a prosperidade de uma igreja limitando apenas a obtenção de bens materiais e não espirituais e eternos (Ef 1.3). Por fim, analisaremos o perfil das igrejas de Esmirna e Laodicéia sob a ótica de Cristo.
I - CONCEITO DA PALAVRA IGREJA
“A palavra “igreja”, no grego, ekklesia, significa “chamados para fora”. Originalmente, os cidadãos de uma cidade que eram chamados mediante o toque de uma trombeta, que os convocava para se reunirem como assembleia em determinado local, a fim de tratarem de assuntos comunitários. Da mesma forma, a Igreja é um grupo de pessoas chamadas para fora do mundo, para formar um povo seleto, especial, pertencer a Deus e serví-lo” (I Pe 2.9,10; I Ts 1.9). (Cabral, 2007, p. 5)
Como um organismo vivo, a Igreja de Cristo possui uma natureza e/ou essência. A palavra de Deus nos mostra características dessa natureza. Citaremos algumas:
É extremamente equivocada a visão dos Teólogos da Prosperidade, limitando-a apenas a obtenção de riquezas, principalmente sob o ponto de vista do Cristianismo, que prega a valorização do ser mais que do ter. No livro dos Atos dos Apóstolos encontramos evidências na igreja primitiva, que atestam a verdadeira prosperidade daquela igreja - sua saúde espiritual. Destacaremos aqui algumas características de uma igreja verdadeiramente próspera, relatadas por Lucas:
3.1 Aquela que persevera na doutrina. A palavra “doutrina” do gr. didache, denota ensinamento ou instrução. Jesus havia exortado aos seus apóstolos que ensinassem aos que se tornassem discípulos (Mt 28.19,20). Eles também haviam sido advertidos que “permanecer na palavra era a garantia de um discípulado verdadeiro” (Jo 8.31). Fazendo assim, a igreja primitiva demonstrou em seu viver diário apego ao que os apóstolos do Senhor ensinavam (At 2.42). Isto a qualificou como uma igreja próspera, que não crescia apenas em quantidade, mas em qualidade (At 2.41;47).
3.2 Aquela que persevera na comunhão. A palavra “comunhão” vem um termo grego koinonya que envolve a ideia de participação, companheirismo e contribuição. Teologicamente significa “Vínculo de unidade fraterna, mantido pelo Espírito Santo, que leva os cristãos a se sentirem um só corpo em Cristo Jesus” (II Co 13.13; I Jo 1.3). A comunhão também reflete a prosperidade de uma igreja, pois mostra que apesar de ser composta por pessoas distintas é coesa quanto a fé. É como um corpo que cresce de forma ajustada, pois está ligado, segundo a cooperação de cada parte (Ef 4:16).
3.3 Aquela que persevera no partir do pão. A expressão “partir do pão” diz respeito ao ritual sagrado da Ceia do Senhor, a reunião mais solene da igreja, onde os membros reunidos celebram a morte do Senhor até que venha, como ele assim ordenou (Lc 22.19). O corpo e o sangue de Cristo simbolizados no pão e no vinho deveriam ser ingeridos com temor e reverência pela comunidade cristã (I Co 11.27,28). A celebração em si deveria ser realizada em amor e comunhão, como demonstração da vida saudável da igreja.
3.4 Aquela que persevera nas orações. A prática da oração persistente e fervorosa também é a marca de uma igreja realmente próspera. Pois, a oração é um recurso eficaz (Tg 5.16); é o único meio de comunicação com Deus (Jr 33.3); e é também uma arma defensiva e ofensiva (Ef 6.18). Os cristãos primitivos demonstravam uma vida próspera porque viviam em constante oração (At 1.14; 2.42; 3.1; 4.31).
A prosperidade de uma igreja não deve ser aferida e/ou avaliada pelos templos suntuosos que constrói, ou pelos caros automóveis que seus membros possuem, muito pelo contrário, a definição de uma igreja realmente próspera como já temos visto, ultrapassa o material. Vejamos sob a ótica de Cristo a definição de pobreza e riqueza, nas igrejas de Esmirna e Laodicéia.
4.1 A igreja de Esmirna:
É necessário entender que nem a pobreza nem a riqueza caracterizam a prosperidade de uma igreja. Muito pelo contrário, a verdadeira riqueza de uma igreja, do ponto de vista divino, encontra-se numa fé verdadeira, que é mais preciosa que o ouro (I Pe 1.7); em vestes espirituais brancas (Ap 19.8); e por fim, na abertura dos olhos espirituais pela revelação da Palavra e do Espírito (Sl 19.8/Ef 1.8).
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